Créditos Autorais
Texto e Imagem:Wilson Menezes
Por onde andam os pedestres de Salvador? Esta sentença foi
construída, propositalmente, ambígua para chamar a atenção para dois problemas
que envolvem a vida dos pedestres em Salvador. A primeira construção de sentido
diz respeito ao aspecto material da questão, isto é, o local físico por onde
andam os pedestres de Salvador. As condições de segurança, de limpeza, de infraestrutura
e acessibilidade das calçadas e outros mobiliários urbanos destinados aos
pedestres como abrigos de ônibus e muretas de proteção.
A segunda possibilidade
está diretamente ligada à cidadania, aos aspectos ideológicos e políticos –
não partidários –, ou seja, onde estão as vozes destes cidadãos e cidadãs que
se deslocam regularmente pelas ruas de Salvador a pé e se deparam com todos os
tipos de dificuldades. Essas vozes não estão sendo forte o bastante para
escoarem na mídia e no Poder Público a ponto de causar impactos positivos na
infraestrutura urbana da cidade.
Vamos analisar primeiro
por onde os pedestres de Salvador andam ou conseguem andar. Abordarei neste
momento as calçadas, mas na verdade muitos aspectos envolvem essa questão,
porque para caminhar dignamente nas ruas não precisamos apenas de boas calçadas
e acessibilidade física. Precisamos também de segurança, de um sistema de
transporte público de qualidade, da conscientização dos condutores de veículos
que transitam pelas vias de Salvador no que se refere ao respeito aos pedestres
e ao Código de Trânsito Brasileiro dentre outros.
Calçadas estreitas e
mal conservadas, obstáculos como lixos, containers, postes e veículos
estacionados sobre os passeios são as dificuldades mais frequentes que os
pedestres encontram em sua frente diariamente. Tais obstáculos fazem com que as
pessoas transitem sobre a pista de rolamento, disputando espaço com os carros e
pondo em risco a própria vida. Na guerra por espaço no asfalto, infelizmente,
as estatísticas mostram que o número de vítimas é preocupante.
Por onde os pedestres
de Salvador andam não é fácil transitar, mas a maioria das pessoas desvia dos
obstáculos e segue seu caminho silenciosamente até encontrar o próximo
obstáculo e repetir o mesmo ato de desviar. Geralmente, a maior expressão de
indignação dessas pessoas é um movimento de cabeça para um lado e para o outro e um
resmungo retraído.
As péssimas condições
de mobilidade, oferecidas às pessoas que se deslocam a pé, passam a ser vistas
como algo natural ou cultural, silenciando a sociedade para um problema que é
coletivo e de competência do poder público. Mas por onde andam os pedestres em
Salvador? Agora no sentido no aspecto ideológico.
Continuarei na próxima
postagem.
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